UMBANDA
ORIGEM DA UMBANDA

A origem da Umbanda remonta ao final do século XIX. Muitos afirmam que a Umbanda fora fundada pelo pai Zélio de Moraes no ano de 1908, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. Entretanto é preciso entender que antes das manifestações do caboclo e do Pai Antonio no médium Zélio de Moraes, inúmeros fenômenos aconteciam no Brasil. Em Minas Gerais, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outros estados, apareciam relatos de homens e mulheres atendendo com espíritos denominados pretos-velhos ou espíritos de índios.

Os centros espíritas lidavam diariamente com médiuns incorporando espíritos de ex-escravos e de indígenas brasileiros. Tudo isso antes do final do ano de 1890.

Além disso existia a eclosão de cultos e seitas baseados em cultos nagôs, bantus, jejes, associados ao xamanismos e pajelanças dos ameríndios, como a Cabula, o Candomblé de Caboclo. O culto Omolokô, entre outras manifestações religiosas dos negros e dos indígenas começavam a se misturar e a criar novas formas de culto aos antepassados e às manifestações divinas.

Com o preconceito imperante nas mesas espíritas aceitando apenas homens bem vestidos, brancos e doutores como espíritos evoluídos, com o uso equivocado da magia pelos antigos rituais africanos e indígenas, o astral, as forças superiores começavam a preparar o nascimento de uma nova religião, uma manifestação depois denominada Umbanda, onde não seriam aceitos preconceitos e que a magia divina seria revelada para se fazer exclusivamente o BEM.

O que queremos mostrar, assim, é que a Umbanda não foi fundada com uma manifestação, mas sim por meio de um processo que eclodiu com a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas. De qualquer forma a história do Pai Zélio de Moraes ajuda a entender a Umbanda e como ela traz para nós um exemplo de humildade, de dedicação e de amor ao próximo.

OQUE É A UMBANDA?

A UMBANDA É UMA RELIGIÃO, POIS TEM UM CONJUNTO DE CRENÇAS E DOUTRINA PARA SE EXPLICAR AS MANIFESTAÇÕES DIVINAS, A JUSTIÇA DIVINA, O ESPÍRITO E SUA IMORTALIDADE, O SER HUMANO. ENFIM É UM CONJUNTO DE FUNDAMENTOS E CRENÇAS QUE RELIGAM O HOMEM AO SAGRADO, A DEUS.

É uma religião brasileira, já que nasceu (ou como querem alguns, renasceu) no Brasil, e tem sob seus fundamentos a essência da história e da cultura brasileira. Foi a manifestação do Caboclo da Sete Encruzilhadas em seu médium Zélio de Moraes em Niterói que marcou oficialmente o início da Umbanda.

É uma religião sincrética, isto é, nasceu e se fundamenta à partir de outras doutrinas, crenças, religiões e filosofias, como dito anteriormente. Mas por ser sincrética é menos religião? Não é original? Antes pensemos: qual religião não é mais ou menos sincrética? A originalidade da Umbanda não está na invenção, mas na nova interpretação e na renovação de antigos conceitos. Destacamos o 2° mandamento (Ama a teu próximo como a ti mesmo) escrito no Antigo testamento, base para tantas religiões e que na Umbanda ganha uma nova vida.

Assim temos que a Umbanda é uma religião, brasileira e que é sincrética. Mas o que é Umbanda?

É uma religião monoteísta, acredita-se que um único deus (Deus-Uno) originou, ou promoveu a origem de todo o resto, um ser incriado, supremo, onisciente, onipresente e onipotente.

A Umbanda não crê em deuses, mas sim em um Deus-Uno, e então se pergunta o que são os Orixás? Como se poderá ver no artigo o que são os Orixás, neste site, os Orixás não são deuses e sim a manifestação, a emanação do Deus-Uno. São o próprio hálito de Deus.

Esse Deus não é um ser personificado, que tenha corpo e caprichos. Também não é um Deus julgador, carrasco e punidor (como previsto no antigo Testamento) nem se parece com o homem, mas algo indescritível, perfeito, imensurável e, infelizmente por enquanto, incognoscível. Razão pela qual os Orixás nos ajudam a entender, a nos aproximar, a vivenciar e admirar Deus em suas emanações e em suas qualidades.

É uma religião cristã, já que acredita em Jesus Cristo, e é seguidora fiel de suas ações e palavras. Praticamente todo o código moral estabelecido e pregado na Umbanda provém do exemplo de Cristo Jesus, razão pela qual afirmamos (não sem criar certa polêmica que a Umbanda é uma religião Cristã).

Umbanda é espiritualista e reencarnacionista.

Ou seja, acredita no espírito, sobrevivência do espírito (ou alma) após a morte carnal, e no seu retorno para um corpo humano em outro momento. Crê nas múltiplas existências. Em razão disto não acredita na morte, mas sim em uma transição do mundo material para o mundo espiritual, e vice-versa. Usa-se a palavra desencarne, que é retirar a carne, perder a carne, pois o ser, o espírito é imortal.

Essas existências múltiplas, as reencarnações, só cessam quando o espírito adquirir as virtudes necessárias e que seu passado prejudicial seja recuperado, ou melhor quando seus débitos com a Lei Maior forem quitados. Isso é que se chama de Lei de Ação e Reação (descrito por Allan Kardec) ou como os hindus denominam Karma, Lei Kármica. Para toda ação ou omissão, seja ela boa ou má haverá uma reação.

Sob essa Lei podemos entender que a Umbanda também crê no livre arbítrio, ou seja, cada um é o responsável final pelos seus atos e pelas suas omissões. A escolha é livre, cabe a cada um escolher o caminho a trilhar, entretanto estará sujeito a lei de ação e reação. Por isso tem-se um ditado oriental que afirma: ‘O plantio é livre, plante o que quiser, quando quiser, mas a colheita sempre será obrigatória’.

Sendo o espírito imortal, crendo na sua existência após a morte carnal, a Umbanda ainda entende que há a comunicação entre os espíritos desencarnados e os encarnados, o que significa que é uma religião baseada na mediunidade.

Os espíritos que já alcançaram certo grau de evolução podem servir aos Orixás como instrumentos e mensageiros da Lei Maior para trazer aos encarnados lições, acalentos, conforto, entendimento, enfim a força dos Orixás. Que na Umbanda recebem o nome de guias e protetores. Alguns estão livres do ciclo reencarnatório, outros ainda precisarão passar por outras vidas encarnadas, mas de qualquer forma, quando esses espíritos, entidades, se manifestam em centros de Umbanda verdadeiros estão muito acima de nossa evolução moral e intelectual.

Esse guias e protetores são os verdadeiros responsáveis (sob ordem dos Orixás), os chefes de toda a religião. São os Pretos-Velhos, as Crianças, os Caboclos e os Exus e Pomba-Giras (esses dois últimos como entidades da quimbanda). Além desses existem espíritos que se manifestam na forma de Marinheiros, Boiadeiros, Baianos, Ciganos e Orientais dos quais falaremos em um artigo.

A Umbanda baseia sua organização na hierarquia templária, no que diz respeito aos encarnados, já que no mundo espiritual há uma outra hierarquia. Não há, portanto, conselhos, pessoas ou entes fora dos templos que imponham ou interfiram no ritual e na condução dos trabalhos. Não há a existência, como na Igreja Católica, de uma hierarquia extra-templo (Papa – Cardeal – Arcebispo… Padre). Existe sim uma hierarquia interna ao templo, sendo o Pai-de-Santo a autoridade máxima, o responsável pelo ritual, pela saúde da reunião, pelos médiuns e pelas manifestações, bem como da segurança espiritual e pelo andamento dos trabalhos religiosos. Pode haver pessoas que cuidem, zelem da parte material, mas sempre a parte espiritual e tudo o que diz respeito a ela será subordinado ao Pai-de-Santo, também chamado de Zelador-de-Santo, Babalaô, Baba ou Babalorixá, ou ainda dirigente e sacerdote.

Além do Pai-de-Santo existem o Pai-Pequeno e a Mãe-Pequena que têm funções ritualísticas e são co-responsáveis pelo andamento da reunião (chamada de gira), e substituem o Pai-de-Santo em situações emergenciais, como problemas de saúde. Depois temos os Capitães de Terreiro que auxiliam na condução e na organização dos trabalhos espirituais podendo auxiliar na organização das consultas, na organização dos cambones, etc.. E no mesmo grau hierárquico do Capitães tem-se os ogãs, que são os responsáveis pela música, pela musicalidade da religião. Em um templo Umbandista deve existir ao menos a figura do Pai-de-Santo.

A Umbanda é uma religião mágica e ritualística. Mágica ou alquímica, pois promove a transmutação da matéria e de estados emocionais e espirituais. Ritualística, pois prevê etapas e ritos para a consecução de seus objetivos, tendo o ritual como um meio disciplinador e promotor da concentração dos médiuns.

Por ser mágica, e para se promover a verdadeira magia há uma estreita e íntima com a natureza, dela sendo dependente. São os sítios da natureza (praias, matas, pedreiras, cachoeiras, lagos, caminhos, etc) onde se encontram a manifestação mais palpável e visível dos Orixás. A Umbanda acredita na força da natureza, na força de seus elementos e na sua energia.

Por fim cabe dizer que a Umbanda é uma religião do amor, pelo amor. Assim podemos dizer que a lei primordial e que resume todas as demais é Ama a teu próximo.