Os Orixás

QUAIS E QUANTOS SÃO OS ORIXÁS DA UMBANDA?

Orixás Quais Orixás são cultuados na Umbanda? Por que estes Orixás? Quantos são?

Estes questionamentos acompanham a todos nós umbandistas. Desde aqueles que estão chegando a conhecer a Umbanda hoje, como aqueles que têm mais tempo de Umbanda que nós de vida.

Muitos autores, pais e mães-de-santo responderam estes questionamentos. Mas, dificilmente encontraremos a mesma resposta nas várias correntes de Umbanda.

Uma coisa certa é que há cinco Orixás incontroversos, ou seja, estão presentes em todas as matizes e correntes de Umbanda, são eles:

Oxalá, Xangô, Yemanjá, Ogum e Oxossi.

A diferença então reina em quantos são e quais são os demais.

Na grande maioria das casas, e das correntes de pensamento, teremos o número sete como um número limitador destes Orixás. Assim teremos os cinco já mencionados e outros dois Orixás.

Entretanto todos os autores, de alguma forma, acabam tentando incluir nestas duas “cadeiras” vagas pelo menos mais quatro Orixás: Omolu/Obaluaê (Yorimá), Nanã, Iansã (Oyá) e Oxum, outros ainda trazem um quinto para a “disputa” pelas duas vagas, o Orixá Ibeji (Yori). O que fazer diante deste dilema?

Assim uns criaram os Orixás menores, outros os raios onde em cada raio poderia haver mais de um Orixá, outros 7 pares de Orixás, entre outras engenharias para ampliar o número de Orixás, ampliando o número de 7.

Por fim encontraremos casas e autores que não se limitam ao número 7, e que simplesmente resolvem o problema com um número maior de Orixás. Nestes casos é mais comum encontrarmos 9 Orixás.

Dado o problema, a polêmica, como resolvemos isto em nossa casa?

Para responder esta questão tenho que trazer aqui como em minha raiz esta questão está posta.

Por minha raiz entendam a tradição das casas que antecedem a minha e das quais saíram os pais e mães-de-santo. Cultuam-se como Orixás os cinco incontroversos (Oxalá, Ogum, Oxossi, Xangô e Yemanjá) e Iansã e Oxum. Nesta composição acredito que há um equilíbrio muito bonito e porque não, de certa forma, perfeito. Temos os Orixás masculinos Ogum, Oxossi e Xangô; e femininos Yemanjá, Iansã e Oxum. E por fim temos Oxalá unindo o lado maternal e o paternal de Deus.

Em nossa casa temos estes Orixás cultuados.

Mas e Omolu/Obaluaê e Nanã? São Orixás? O que são?

Esta foi uma questão que em minha preparação para assumir o Terreiro de Umbanda Luz, Amor e Paz, Cabana do Pai Tobias de Guiné, como uma das mais importantes.

Poderia eu abrir mão do número 7? Não seriam sete os momentos da criação e assim sete não seriam os Orixás? Não são sete as linhas da Umbanda?

Para incrementar o problema devo dizer que minha relação com o Sr. Omolu/Obaluaê é muito forte e estreita, acredito, como acreditava, que nenhum Orixá, dos mencionados, trazia em si as forças e os axés do Sr. Omolu. Nenhum dos 7 Orixás representava como seu ponto de força a terra, bem como nenhum dos Orixás apresentava características que tratavam da vida e da morte carnal como Omolu e como Nanã.

Assim, pedi para os Orixás, por meio das entidades, que trouxessem uma resposta a este meu anseio. E a resposta que me veio foi a que hoje apresento a todos.

Os Orixás que assumem a cabeça de um filho são sete, pois sete são os momentos da criação, sete é o princípio universal da união entre a matéria (quatro ou princípio quaternário) e o espírito (três, ou princípio ternário ou trino, ou ainda a trindade divina). Assim em minha casa assumem a cabeça de um filho Oxalá, Yemanjá, Oxum, Ogum, Xangô, Iansã e Oxóssi.

Mas, cultuamos como Orixás o Sr. Omolu/Obaluaê e Nanã Buruquê. São Orixás, ou seja, são manifestações, emanações e qualidades diretas de Deus.

Em nossa casa 9 são os Orixás cultuados, porém 7 são os Orixás que assumem a cabeça de um filho ou de uma filha. E isto em nada desmerece ou muda o culto a estes Orixás, são emanações de Deus, e como tal não existe um mais importante do que outro.

Saravá as 7 linhas da Umbanda, saravá os 9 Orixás da Umbanda.

OXALÁ
Figura central em todo terreiro de Umbanda. Sempre observaremos a figura desse Orixá ou de Jesus Cristo como destaque nos terreiros. Qual a razão disso?

Comecemos pelo nome Oxalá, Orixalá = o grande Orixá, O Orixá dos Orixás.

Seria o primeiro Orixá, aquele que foi responsável pela criação da vida, ou seja do espírito.

O Orixá

Oxalá representa a maturidade espiritual, o equilíbrio pleno e a sabedoria absoluta. Nos cultos de nação é tido como um Orixá fun-fun, ou seja branco, aquele que foi o primeiro criado, puro. Razão que é o responsável pela paz e tranqüilidade. É a figura perfeita de um pai, de um venerando pai. Na mitologia quase 100% dos orixás são seus filhos. Seu símbolo é um cajado o opaxorô com três pratos. O mundo dos homens, o mundo espiritual (eguns) e o mundo dos Orixás, todos ligados por um cajado e em cima um pássaro que simboliza a união, a ligação, a comunicação entre os mundos.

Apesar disso não há hierarquia entre os Orixás, há o respeito por ser o ancião, o pai.

É o que deu o raciocínio ao ser humano diferenciando-o do resto da criação. Por tudo isso representa também a fé, pois é a ele que todos se reportam antes de ir até o Pai maior.

Oxalá – ARQUÉTIPO

Os filhos desse Orixá são pessoas de confiança. Reflexivos e pensativos. Querem refletir e descobrir o porquê de seus sentimentos até a exaustão. Filosofam sobre seus sentimentos ao ponto de se perderem nesse emaranhado de pensamentos.

São lentos, as vezes preguiçosos, e calmos. Mesmo quando apresentam um temperamento explosivo externamente, são calmos internamente.

Geralmente se sentem vítimas, acham que há uma conspiração, ou uma razão que eles desconhecem para que falhem. São pessoas que não são subservientes, não aceitam a submissão. Respeitosos, mas sempre deixam claro que no final a decisão é deles, podendo chegar a casos de autoritarismo.

São pessoas muito reservadas, introspectivas. Têm dificuldades de expor seus problemas íntimos. Quando acreditam achar a solução para um problemas se tornam teimosos e será uma tarefa muito, mas muito difícil convencê-los do contrário.

Pessoa muito organizada. Tem tendência a buscar a reclusão para resolver suas pendências, em geral busca a solidão. Para que o filho de Oxalá desperte em si mais alegria de viver deve aprender a aproveitar, a apreciar as pequenas coisas da vida e delas retirar momentos de prazer e alegria.

Nunca esquecem uma traição, uma falta, podem não guardar o rancor ou a raiva, mas jamais esquecerão do ocorrido.

Dia da semana – Sexta-feira

Cor – Branca

Ervas – Boldo (tapete-de-Oxalá), alecrim, sálvia, folha de Girassol, folha e flores de laranjeira, alfazema, alfavaca, manjericão, rosa branca, agapanto, guaco, jasmim do cabo, manjerona.

Amalá – 7 velas brancas ou 14 velas brancas, fita branca, água mineral em coeté, canjica cozida na água servida em louça branca coberta com algodão, uvas verdes, pêra verde, maçã-verde, flores brancas (rosa branca em especial).

Saudação – êpa Babá (olá, com admiração e espanto, ao ancestral dos ancestrais)

Local de entrega – campinas, pradarias, praia, clarões nas florestas.

IEMANJÁ
A Orixá

A Orixá maternal, senhora cujos domínios são os oceanos e os mares, senhora de quase 2/3 da Terra. Muito difundida e cultuada no Brasil, tem grande destaque na mídia e deve ser o Orixá mais conhecido e falado. Mas isso não dá a Iemanjá nenhum status, nenhuma posição hierárquica maior do que as demais.

É a caracterização, é a força divina que representa a maternidade. Não a maternidade de Oxum, que é mais uma maternidade deslumbrada, do ato da concepção até o nascimento, e sim uma maternidade mais austera, simples, madura, a maternidade no sentido da educação.

Por essa razão é um orixá que nos dá e nos ensina tolerância, amor fraternal, o carinho entre entes queridos e como ampliar o rol de pessoas queridas.

Assim pode-se dizer que Iemanjá é a união familiar é o Orixá dos lares e das famílias. Nos Terreiros é Iemanjá que comandará a união da corrente dando a mesma um sentido de família. É a representação da “preocupação” divina de ver seus filhos (criaturas) evoluindo estando trilhando o caminho do bem e do amor.

Por ser a Senhora dos oceanos, tem uma função primordial na dissipação e transmutação das energias deletérias. São seus mensageiros, os espíritos que trabalham na vibração de Iemanjá responsáveis por quase toda a limpeza astral do planeta, e sua renovação. Mesmo Oxum e Iansã, também Orixás responsáveis por essa tarefa levam suas águas e ventos até o mar, para que lá haja a total renovação. Não é a toa que o líquido amniótico é salgado, não é a toa que o banho de sal grosso é tão forte na retirada de energias maléficas. Por ser a água do mar essa fonte de vida e renovação, de transmutação da matéria é que Iemanjá também é muito “acionada” em todos os trabalhos de magia, pois sua energia primordial molda e cria qualquer coisa.

Estudos sobre a origem da vida afirmam que antes da primeira vida, uma ameba, existia um caldo salgado (um mar primordial) e que toda a vida surgiu daí. É um fato científico que demonstra como os africanos já sabiam da origem da vida ao atribuírem isso a Iemanjá. Por ser primordial, fácil é criar e transformar.

Por essa razão a força e a importância dos Marinheiros, povo de Umbanda composto por espíritos com estreita e íntima ligação com nossa mãe Iemanjá, e são especialistas em levarem as energias deletérias embora, promovendo limpezas astrais nos terreiros.

Por essas razões, por ser essa grande-mãe, é que as crianças da Umbanda têm relação tão estreita com Iemanjá. Sendo esta a Orixá responsável pelos Erês, tendo sob sua vibração a grande maioria desses seres puros e caridosos.

Da mesma forma é que teremos uma relação tão profunda entre os pretos-velhos e Iemanjá.

Muitas lendas afirma ser Iemanjá a senhora de todas as coroas, independente do orixá que regerá aquela pessoa.

Sua saudação Odoia ou Odociaba significam Mãe das águas.

Iemanjá – ARQUÉTIPO
Os filhos de Iemanjá serão pessoas que terão uma forte relação familiar, vão querer zelar e proteger toda a sua família. E o conceito de família para os filhos dessa Orixá não são reduzidos aos graus de parentesco. Todas as pessoas que esses filhos gostarem terão sua proteção e zelo, seu carinho e sua atenção. Lembrando que adotam o princípio da grande-mãe, ou seja querem deixar claro que estão hierarquicamente acima e querem esse respeito. Entretanto, esse sentimento muitas vezes ultrapassa alguns limites, produzindo certos tipos de possessão, protecionismo exagerado, relação de dominação, e por vezes não permitindo a seus “filhos” enfrentarem os problemas do mundo, preferindo passar elas os problemas a deixar seus entes queridos passarem.

Essa relação de maternidade e proteção também promove um espírito de intromissão, de querer palpitar em tudo, saber de tudo. Não suportam a idéia de que não podem saber o que está acontecendo, com quem e quando.

Desenvolvem um sentimento de amor às criaturas, e amam de início, mas aos poucos vão tentando moldar as pessoas a aquilo que acreditam certo. Quando essa pessoa não aceita ou faz o contrário começam os conflitos.

São pessoas que gostam do luxo, de arrumar suas casas, e mesmo quando não possuem muitos recursos usam tudo ao seu alcance para decorar e dar “sofisticação” ao seu lar. São vaidosos, mas não no mesmo sentido dos filhos de Oxum. São diretas, capazes de algumas chantagens emocionais para conseguirem seus objetivos.

Por tudo isso Iemanjá não aceita, não gosta da vida solitária. Buscam de todas as formas uma vida junto a tribo, a sua comunidade. São aquele tipo de pessoa que prefere uma casa de parente de um amigo a um hotel.

Não são pessoas que ambicionam para si carreiras profissionais longas, não pensam a longo prazo nesse sentido, e por isso não são afeitos a profissões muito competitivas. O único pensamento a longo prazo são para seus filhos. Dessa forma não gostam muito de mudanças, preferem a certeza do cotidiano.

São conhecedores da natureza humana e por isso demoram a confiar em alguém. Quando o fazem aceitam a pessoa por completo, defendendo-a em qualquer situação. Mas magoado, machucado pode guardar rancor por muitos anos.

Não gostam de ser criticados e se irritam com facilidade nessas ocasiões, bem como quando sua autoridade é posta em ameaça ou em dúvida.

Dia da semana – Sábado

Cor – Azul

Ervas – folha de capiá (lágrima de Nossa Senhora), hortelã, araçá-de-praia, açucena, araticum-de-praia, graviola, musgo-marinho, pata-de-vaca, Trapoeraba-azul, cavalinha, malva-branca, rosa-branca;

Amalá – 7 velas azuis, 7 velas brancas, fitas branca e azul, água mineral servida em coeté, manjar, uvas brancas ou verdes, flores (de preferência Rosa-branca).

Outras comidas – pêra, maçã-verde, araçá-da-praia (araçá branco), milho branco.

IANSÃ

A Orixá

Iansã/Oiá é a Orixá mais guerreira.

Não teme a demanda, na foge da luta ou dela se esquiva. Dominando os ventos, tempestades e o fogo Iansã usa esse elementos para praticar a justiça, para levar seu axé, ao mesmo tempo que com esses elementos afugenta os malfeitores, os envolve com sua beleza, os prende ou os espanta.

Iansã é a condutora dos espíritos, e com Omolu divide esse domínio. Enquanto Omolu cuida do processo de desencarne, o desligamento do espírito com a carne, Iansã conduz os espíritos depois do trabalho de Omolu para os locais de seu merecimento.

Assim como o vento é um Orixá da renovação. (lembremos da expressão bons ventos). Normalmente Iansã sopra a brisa, que irá disseminar a vida, as sementes das plantas, o pólen que depois originará os frutos e assim por diante. Mas mesmo a tempestade que tudo destrói é a oportunidade da renovação, da reconstrução. Desfaz-se do velho e aceita-se o novo.

Sem o vento de Iansã não se evaporam as águas, e estas não se renovam e não se tem a vida com a chuva. É uma emanação de Deus que traz elementos de outros Orixás.

Assim de Ogum aprendeu a guerra e os caminhos, de Oxossi a caça, de Omolu o domínio dos eguns, de Oxalá a fé e a realeza, a paciência e o raciocínio. Por isso Iansã traz a energia para os Terreiros para controlar as almas, envolvê-las nas energias divinas, traz com o vento a força e as energias que serão usadas nas curas e nos atendimentos dos terreiros.

ARQUÉTIPO

São pessoas em movimento. Assim como o vento não querem ficar parados. Se não podem se locomover, com certeza seus pensamentos são intensos e ininterruptos. Um filho ou filha de Iansã tem dificuldade de aceitar ordens de se subordinar, não toleram críticas e por isso dificilmente conseguem permanecer em um mesmo trabalho por muito tempo. Entretanto cumprem suas missões e suas tarefas com muito zelo, pois como não gostam de críticas se esforçam para fazer as coisas de forma certa e precisa. Por causa dessa sua forma de trabalhar querem que os demais façam o mesmo, se esforcem, façam as coisas direito.

Não aceitam ver injustiças, e não se calam ao ver algo que lhes desagrade, imediatamente falam, gritam, esbravejam, mostrando seu descontentamento, não por vaidade ou mimo, mas por que querem que alguém vá e resolva, conserte, quando não podem fazer por si mesmas. Ao ver uma briga onde um homem grande e um homem pequeno lutam, de imediato vai defender o pequeno, mesmo sem saber quem é o responsável. Não aceita a opressão dos pequenos e indefesos.

São pessoas categóricas, e persistentes. Em geral sabem dominar o sexo oposto, atraí-los com seu charme. São muito explosivas, e com a mesma impetuosidade em que explodem ao acabarem com tudo voltam ao normal com muita rapidez. Ao contrário dos filhos de Ogum que também são impulsivos os filhos de Iansã não sentem remorso e nem ficam se torturando após a explosão. Simplesmente voltam ao normal.

Alguns dos seus filhos gostam de uma intriga ou de uma fofoca. Não sentem muito quando precisam de uma chantagem emocional para angariar seu objetivo. Gostam de ser o centro das atenções. Não conseguem disfarçar sua alegria ou sua tristeza. Por serem francos e transparentes não são pessoas dissimuladas, ou falsas.

Quando estão com alguém ou inseridos em uma comunidade, são leais e companheiros, defendendo seus entes queridos com toda a sua força. Não gostam que pessoas de fora de sua família ou de sua comunidade venham a dar palpite, fazer crítica sobre sua casa e sua família. Todos os seus atos são justificáveis, todos os atos dos seus entes são justificáveis, mesmo aqueles que todos acreditam ser injustificáveis, pois são adeptos da expressão popular “sapo de fora não dá palpite”.

Em um conflito não pensam muito em estratégia, vão com tudo para cima, a coragem e a disposição são mais importantes. Não perdoam com facilidade traições e em podem ser vingativos, quando não controlam essa ira. Tem uma facilidade em manipular elementos, gostam da magia e dos encantos que ela desvela. Podem usar toda essa facilidade em prol de seus semelhantes.

Sua saudação: Epa Hei significa falar com espanto Olá. Esse espanto de grandeza de admiração ao ver o Orixá e dizer a ele Olá Iansã, Olá Oiá.

Dia da semana – Segunda-feira ou quarta-feira

Cor – Alaranjado

Ervas – Folhas de romã, folhas de pessegueiro, folhas de gerânio vermelho, folhas de bambu, espada de santa-bárbara, folhas de morango, folhas de louro, sensitiva ou dormideira;

Amalá – 7 velas laranjas, 7 velas brancas, fitas laranjas e brancas, água mineral servida em coeté, Acarajé (9 unidades), flores brancas e laranjas (de preferência palmas)

Outras comidas – milho verde cozido e coberto com mel, pêssego, carambola, manga-rosa, maçã, romã.

XANGÔ
Xangô, Orixá, dono das coroas, Rei de todos nós, senhor do equilíbrio, a Justiça de Deus sobre todos nós. Senhor das pedreiras. Salve Xangô, Kaô Kabecilê Obá!

Uma das qualidades divinas que todas as fés, credos e religiões mais cultuam e propalam é o poder de Justiça que o Criador, Deus, ou nome equivalente (Alá, Olorum, NZambi, etc.), possui. Para todos só existe uma justiça verdadeira e perfeita a que é executada e dita por Deus.

Na Umbanda isso não é diferente. A justiça divina, ou a justiça perfeita é executada e dita por um Orixá, o senhor Xangô. Assim na raiz umbandista a emanação de Deus denominada Xangô é a que concentra as energias, os espíritos e elementos necessários para que a Justiça Divina seja cumprida e que as leis do universo, as leis de Deus possam ser seguidas.

Neste sentido existem pontos que enaltecem este atributo tão importante, a justiça:

“Xangô, mostrai a força que vos tendes,

Xangô é o Rei da JUSTIÇA,

e não engana ninguém.”

“Ele bradou na aldeia, bradou na cachoeira

em noite de luar,

em noite de luar

Do alto da pedreira vem fazer JUSTIÇA

Para nos ajudar

Ele bradou na aldeia, kaô, Kaô

Ele vai bradar, kaô, kaô

…”

“Ele vem de Aruanda

Ele vem trabalha

Ele vence demanda

Ele é seu Arirá …. bis

Kaô, Kaô

Kaô, Kaô

A JUSTIÇA chegou Xangô”

Ou mesmo nos pontos dos caboclos de Xangô encontram-se a Justiça como ponto de força, e de axé:

“Cheguei sou Quebra-Pedra

Sou Caboclo de Xangô….bis

Tem vez que estou aqui

Tem vez que não estou

Só venho quando

Pede a JUSTIÇA de Xangô

Kaô, kaô, kaô

Sou Quebra-Pedra

Sou guerreiro de Xangô.”

Mesmo quando não há a expressa palavra Justiça outras palavras descrevem ou remetem à justiça divina como no ponto:

“é Xangô o rei de lá das pedreiras.

É Oxum rainha das cachoeiras……bis

Xangô é Rei

Xangô é Rei Orixá

Escreve LEI, pros filhos de Oxalá”

Ou:

“Meu Pai São João Batista é Xangô

Dono do meu DESTINO até o fim

…”

Nos cantos e nos atributos desse Orixá está intrínseco a noção de Justiça, e isso irá refletir em todos os trabalhos que precisarmos de Xangô. Seu instrumento, seu símbolo é um machado chamado Oxé, que possui lâminas iguais dos dois lados. O Oxé é a própria representação da Justiça pois mostra que Xangô é imparcial, mostra que em uma pendência a decisão será Justa.

Desta forma quando é preciso buscar justiça nas nossas vidas, chamamos o Orixá Xangô, quando estamos diante de conflitos e o consideramos injustos, clamamos por Xangô, pois Ele traz a Justiça Divina.

Mesmo que o sofrimento seja kármico, a demanda necessária, ao chamarmos Xangô, sua energia nos consolará, pois entenderemos que as questões são necessárias, e aquela sensação de indignação, revolta, é abrandada, e aprenderemos a lutar contra o sofrimento, respeitando as vontades divinas.

Portanto Xangô não só resolverás as demandas e conflitos, mas ajustará nossa energia e nosso entendimento para que possamos suportar as questões kármicas, aumentando nosso entendimento e nossa força para enfrentar aquele período difícil de nossas vidas.

Ou seja, pedir justiça, não é a certeza de que iremos receber o que pedimos, mas a certeza de que receberemos o que é melhor para nossa evolução, para nossa iluminação e de que não receberemos nem mais nem menos do que precisamos naquele momento.

Xangô, por ser a própria Justiça Divina, é o senhor do equilíbrio. Equilíbrio que todos almejamos e desejamos. Quando não conseguimos ter equilíbrio não conseguimos tomar decisões, e quando fazemos em geral cometemos erros. Um homem ou mulher equilibrados conseguem observar todos os senões, as artimanhas e lados de uma situação e assim conseguem tomar a decisão com mais propriedade.

Desequilibrados ficamos cegos, surdos para muitos aspectos decisivos das situações que nos encontramos, perdemos a fé, a razão e assim não enxergamos as saídas e os ensinamentos de cada momento Xangô é a força divina que equilibra. A Ele gritamos e cantamos para trazer equilíbrio em nossas mentes.

Mas equilíbrio também é sinal de saúde, pois um organismo equilibrado é um organismo saudável, portanto Xangô também auxilia na prevenção e na busca da Saúde. Razão esta que veremos em alguns pontos de cura, ou do Povo do Oriente a figura de xangô, ou de suas representações, como São João Batista, São Pedro, São Gerônimo. Por exemplo:

“São João Batista, vem, vem,

vem minha gente

Vem chegando de Aruanda

Salve o povo cor de rosa

Salve os filhos de Umbanda”

Senhor do equilíbrio e da Justiça Xangô é representativamente inflexível, pois não pode ceder a caprichos ou mimos, ou uma situação é justa ou não é. Por isso as pedreiras, as montanhas e serras são os sítios naturais de Xangô.

São nestes espaços naturais e sagrados que podemos perceber as energias de Xangô.

Em muitos locais do mundo ainda hoje, e em todas as civilizações em algum momento, a justiça ficou a cargo dos Reis e Rainha, ou seus equivalentes (chefes das tribos). Essa é mais uma explicação para que na maioria dos pontos reafirmarmos a realeza de Xangô.

Mas, além da questão própria da Justiça, afirmamos que Xangô é Rei, pois ele é o senhor que escreve as Leis, ou seja, reside na emanação divina chamada xangô, as regras e as leis da vida. Então somos todos súditos e subordinados desta força divina viva.

Também podemos afirmar que Xangô é rei, pois para nossa raiz entendemos que Xangô é o senhor das Coroas. Como Ele é o equilíbrio de Deus, ao estar em nossas coroas (cabeça) xangô equilibra as forças divinas em atuação em todos os filhos de todos os Orixás.

Nos mitos mais primitivos encontraremos Xangô brincando com brasas, com as labaredas do fogo, pois ele é o fogo. O fogo foi apresentado para os homens por meio dos raios, que ao caírem na terra e atingirem árvores provocavam os incêndios.

O homem fez o fogo ao bater fortemente duas pedras, elemento de Xangô. Por isso os mitos, as lendas tentam explicar como uma emanação divina controla o fogo, para nós podemos dizer que há uma dominação e ligação entre os elementais do fogo com o Orixá Xangô.

Vejam Xangô é o Senhor das Montanhas, pedreiras, a pedra dura, é fruto de um resfriamento rápido da lava (fogo), a pedra é o produto do fogo, sem fogo não há formação da pedra, das montanhas. As serras são fruto da colisão entre duas placas tectônicas, ou da explosão de vulcões, tanto um quanto o outro acontecem pois o fogo do interior da Terra decidiu se movimentar. Xangô é o fogo! Sarava meu pai!

Resumo:

É o Orixá da justiça. Justiça no sentido divino e perfeito, não no sentido do julgamento humano. É a emanação de Deus que dá o equilíbrio a todos os seres. É a força, a estrutura do universo. Se pudéssemos comparar as forças divinas com nosso corpo poderíamos dizer que Xangô é o nosso esqueleto.

Em seus domínios encontraremos as serras, montanhas, pedreiras, pedras em beiras de rios e cachoeiras. Domina raios e trovões. Xangô também domina o fogo.

Orixá responsável pelo equilíbrio, é a força divina providenciando as formas que a lei de ação e reação, ou lei kármica, entrarão em exercício.

Sua representação está associada a um machado com dois lados iguais, o Oxê, ou seja a imparcialidade, o equilíbrio, a própria justiça Divina. Xangô é o próprio poder divino, é a autoridade Divina na Terra.

SINCRETISMO

Em virtude da agressão aos negros os Jesuítas forçavam os nossos ancestrais a culturem a Igreja Católica. Nestes momentos históricos os negros selecionaram alguns santos para representarem seus Orixás. Isto não quer dizer que os Orixás são os santos, e muito menos os santos são Orixás.

Mas neste processo se revelou toda a sabedoria dos negros, ao escolherem as representações que explicam bem o significado do Orixá e o que ele representa.

No caso de Xangô temos como santo São Gerônimo.

São Gerônimo foi o primeiro tradutor da Bíblia, o religioso que permitiu que todos pudessem conhecer a palavra de Deus, ou seja popularizou as regras e leis ditadas na Bíblia, e assim permitiu que os homens e mulheres conhecessem as leis de sua época que eram as leis ditadas na Bíblia.

Ou seja, os negros escolheram o santo que ditou as leis aos humildes para representar o Orixá Xangô. Por esta razão comemora-se Xangô em nossa raiz no dia de São Gerônimo, dia 30 de setembro.

ARQUÉTIPO

Os filhos de Xangô são pessoas que sempre querem estar com a razão. Excelentes ouvintes, podem escutar por horas, mas querem dar a última palavra. Isto, pois, querem ser sempre uma autoridade.

As críticas diretas ou indiretas deixam os filhos de Xangô muito aborrecidos, em geral não as tolerando. Quando a aceitam as críticas guardam aquele momento para em uma ocasião futura criticarem a pessoa que os criticou, mostrando, assim, que eles também são donos da verdade e sabem ver o que os outros erraram. Ou seja, deixar claro que a pessoa não é mais do que ele.

Os filhos de Xangô sempre buscam ser justos. Tentam escutar as partes envolvidas, enxergar todas as possibilidades para então proferirem a sentença. A sentença, o julgamento, é assim, para eles, infalível. E este é o maior desafio dos filhos de Xangô, abrirem mão de julgar os outros, e entender que quem julga é o Orixá, e não seus filhos.

No dia-a-dia são pessoas justas, que procuram atuar sempre de forma equilibrada e ponderada, para que não cometer injustiças.

Voluntariosos e dedicados. Gostam de ajudar suas comunidades, mas gostam de fazer ao seu jeito e a seu tempo.

Pessoas honestas e sinceras, sua sinceridade não é aparente e agressiva como a dos filhos de Ogum, e sim uma sinceridade diplomática. São pessoas cheias de energia, extrovertidas e em geral alegres. Sua auto-estima é bem resolvida, tanto que possuem certo grau de egocentrismo.

São pessoas sociáveis, conscientes de sua importância na sociedade e na comunidade em que vivem, nem que esta importância seja uma suposição desses filhos. São líderes natos, e pessoas cativantes. Sedutores, gostam da arte da sedução, de atrair e conquistar seu par.

Falantes, quando explicam ou contam uma história querem o fazer nos mínimos detalhes. Nesses momentos abrem inúmeros parenteses, ou notas de rodapé para explicar uma palavra, um sentimento, a tal ponto que podem se perder em suas explicações.

Fisicamente (pensem em uma pedra) os filhos e filhas de Xangô possuem algumas características semelhantes. São do tipo atracado, ou seja ombros e quadris largos, fortes e com tendência a obesidade. Não são pessoas muito altas, mas sempre são largas, fortes, com estrutura óssea bem desenvolvida.

Saudação: Kaô kabecilê! (ou Kaô kabecilê obá) – Saudação ao Orixá Xangô que significa – venham ver (admirar, saudar) o Rei (Alteza) da Casa.

Dia da semana –quarta-feira

Cor – Marrom

Ervas – folhas de café; folhas de eucalipto-limão; quebra-pedra; hortelã; ameixeira; alevante; lírio do brejo; erva-de-são-joão, lírio da cachoeira; mulungu; musgo-da-pedreira;

Amalá – 7 velas marrons, 7 velas brancas, fitas marrons e brancas, cerveja preta servida em coeté, amalá de Xangô (gamela redonda forrada com um pirão de farinha de mandioca, com quiabos refogados cortados bem finos, com 8 acaçás (bolinho de fubá branco)), flores diversas.

Outras comidas – fruta do conde, limão (limão caipira ou limão rosa), caqui, jambo, maçã, quiabo, abacate, abacaxi, nêspera.

Domínio: Pedreiras, serras, montanhas, falácias, cachoeiras altas e pedregosas.

OXUM
A Orixá

Oxum representa o amor maternal, o amor não importando as dimensões. É a senhora da fecundidade, genitora. Senhora cujos domínios são as águas doces, rios, lagos, cachoeira e inclusive a chuva. É a senhora do Ouro e dos metais amarelos, assim tem forte ligação com a riqueza material.

Por essa razão é além da fecundidade protetora da gestação, e zeladora das crianças. Seria Oxum que cuidaria dos pequeninos desde a concepção até as crianças poderem raciocinar e se expressar.

É a representação da mãe jovem, ainda perplexa diante da maternidade.

Para a Umbanda a emanação de Deus representada por Oxum nos trará a água da vida, que cessará a sede, nos refrescará, nos limpará e permitirá que nova vida brote dentro de cada um. Assim é um Orixá que emana renovação, limpeza astral, vitalidade e que permite nossas energias tenham um bom fluxo. Assim como todas as Orixás, nossa Mãe Oxum envia seus emissários para limpar e purificar os ambientes. Descarrega as energias deletérias e nos carrega de alegria e amor pela vida.

ARQUÉTIPO
Os filhos de Oxum preferem contornar um obstáculo a enfrentá-los diretamente. São como um rio, podem aparentar beleza e tranqüilidade, mas podem por dentro conter redemoinhos, buracos e pedras.

São em geral pessoas teimosas, que quando teimam com uma coisa ou objetivo não desistem até conseguirem, sua obstinação e persistência nesses casos é forte.

As mulheres de Oxum são vaidosas e muito preocupadas com os cabelos. Tanto é que uma de suas armas para a sedução, para o seu charme são suas mexidas nos cabelos. Não são diretas na conquista de seus pares.

Em geral são pessoas amigas que gostam da vida social e das festas. Por vezes sua imagem é ligadas as pessoas com pouco de sobrepeso e risonhas. E apesar da vaidade e da vida em sociedade são pessoas discretas, temem muito escândalos e que sejam atrizes de situações constrangedoras, pois não suportam ver sua imagem de bondosas, frágeis, inofensivas destruída ou abalada.

Manhosas, dengosas e mimadas. Quando não são agraciadas, paparicadas consideram isso um ultraje, uma injustiça pois são merecedoras, sempre, de carinho e de colo, de cuidado. Em geral os filhos de Oxum parecem envelhecer menos, ou bem mais demoradamente que os demais, apresentando uma aparência jovem por mais tempo.

São pessoas que zelam por sua aparência, sobre o status social de como a sociedade e a comunidade em que vivem olham para elas.

São muito sensíveis, qualquer palavra ou gesto mal empregado pode ser suficiente para provocar o choro, seja ele aparente ou não. Assim em geral podem ser dramáticos, possessivos e muito ciumentos.

Sua saudação Ora Aie Ie o – Aieieo – Salve a benevolente mãezinha.

Dia da Semana – Sábado

Cor – amarelo (amarelo-ouro)

Ervas – Melissa (erva cidreira), ipê amarelo (flores e folhas), camomila, macela (marcela), calêndula (mal-me-quer), alfavaca-miúda, samambaia nativa, trevo-azedo (azedinha), bananeira (frutos), arnica (arnica-montanha), cipó-chumbo.

Amalá – 7 velas brancas, 7 velas amarelas, água mineral servida em coeté, pudim amarelo (pode ser um quindão, pudim de ovos), fitas amarela e branca, flores brancas e amarelas.

Outras comidas – canjica amarela, melão, banana (em especial a banana-ouro e exceção á banana-terra), manjar amarelo.

OXÓSSI
O Orixá

Oxóssi é a emanação de Deus-Uno que significa a catequese, a doutrina dos espíritos. É a força que vai caçar os espíritos alheios a lei de Umbanda para doutriná-los, trazê-los para a Luz.

Oxóssi é o Orixá que representa, também, a manutenção, já que é o caçador (mitologicamente) que vai em busca do alimento, é o homem que sai da tribo em busca do alimento de toda sua comunidade.

Por ter a mata virgem como um de seus elementos identificadores, bem como onde podemos sentir muita vibração de Oxóssi, é o senhor do desconhecido, do inexplorado, da bravura e do individualismo. Oxóssi por ser ligado à caça significa também o mais primordial, o primitivo, já que está para caça, contra a agricultura, para a magia, contra a ciência. Por ser a noite um momento propício para a caça, Oxóssi tem estreita ligação com a Lua.

É o Orixá da Umbanda que tem o domínio da magia das ervas, e por isso é a emanação divina que traz a cura para os males físicos (junto com Omolu). Pela sua liberdade, contato com a vida intensa (florestas) é a emanação divina que nos traz a alegria, a força e a vontade de vivermos de cabeça erguida, de olhos abertos e com a certeza de que sempre teremos alguém para nos guiar. Assim é a emanação de Oxossi que nos ajuda a não cair ou a nos tirar da depressão e da tristeza.

Por essas razões é que em todos os locais há uma estreita ligação deste Orixá com os caboclos, mas é preciso sempre lembrar que os caboclos estão nas sete linhas, em todos os Orixás.

Oxóssi – ARQUÉTIPO

O filho de Oxóssi:

São pessoas que gostam da liberdade, gostam de se sentirem independentes, não se importando muito em romper laços familiares. Apreciam a solidão, o fato de ficarem momentos isolados, em contemplação. Tem um interesse em atividades que requeiram concentração, e as vezes silêncio, tem dificuldade em trabalhos em grupo. Muitos são calmos e pacientes, sabendo esperar o momento certo de agir, não agindo de forma impetuosa, ou impulsiva.

Em geral são joviais, ágeis e espertos, tendo um olhar atento e vivo. Alguns de seus filhos possuem grande criatividade e dons artísticos. Por essas razões são cheias de iniciativa, com grande senso de responsabilidade e muito cuidadosos com suas famílias.

Consideram o espaço individual de cada um como sagrado, assim não costumam falar muito dos outros e muito menos julgá-los.

Muitos de seus filhos não sonham muito, preferindo canalizar suas energias para o momento certo da caçada. Tem certa dificuldade em relacionamentos, preferindo relacionamentos pouco duradouros. Quando optam por um estável, escolhem pessoas que também apreciem a independência. Apreciam a camaradagem, e as conversas sem fim.

Dia da semana – Quinta-feira

Cor – Verde (verde mata, bandeira)

Ervas – Samambaia nativa, samambaia do mato, xaxim, folha de goiaba, folha de araçá, guiné, folha de salgueiro-chorão, malva-do-campo, malvarisco, folha de pitanga, capim-limão, guaco, peregum verde (dracena verde), acácia jurema, alfazema-de-caboclo.

Amalá – 7 velas brancas, 7 velas verdes, uma moranga assada com milho-verde dentro coberto com mel, cerveja clara em coeté, 7charutos, fitas verde e branca, flores diversas e folhas de suas ervas;

Frutas – praticamente todas

Outras oferendas – velas brancas e verdes, ou vela bicolor branca/verde, milho-verde assado coberto com mel, quibebe (refogado de abóbora), sementes de abóbora assada, frutas, charutos, cerveja clara em coeté, fitas verde e branca.

Saudação – Okê! Okê Arô! (significa Autoridade, rei, que fala mais alto, ou seja salve o Rei que é aquele que fala mais alto).

OGUM
O Orixá

O orixá guerreiro.

“Se meu pai é Ogum, Ogum, vencedor de demandas….”

O ponto acima descreve a importância de Ogum para a Umbanda.

Ogum é o Orixá responsável pelos espíritos e pelas energias que vão desmaterializar, desconstruir as demandas, as magias contra os filhos que a Ele recorrem.

Por isso fala-se do Orixá Ogum como guerreiro. Senhor dos limites sempre está na frente abrindo a passagem para os demais Orixás. Razão esta que se explica nos rituais de Umbanda sua saudação em primeiro lugar (entre os orixás, já que a primeira saudação deve ser a de Exu).

Ogum exerce um papel fundamental na Umbanda, comandando os caboclos, os Exus e as Pombagiras, faz a guarda dos locais sagrados e dos médiuns de Umbanda. São eles que vão na frente para proteger e zelar pelas caravanas, pelo espíritos em missões de resgate e de trabalho.

Teremos Ogum no limite do Mar e terra, do campo santo e do profano, na entrada da mata, na beira dos rios e cachoeiras, e assim por diante. Isso também explica a razão de Ogum estar relacionado às estradas, aos caminhos.

Sendo vencedor de demandas, sendo um Orixá próximo aos trabalhos de Exu, deve dominar e manipular a magia. Isso também dá a Ogum uma relação íntima com os elementais. Sendo tido como o responsável pela evolução dos espíritos elementares. Isso pode ser observado nos pontos cantados das crianças da Umbanda (os senhores, os responsáveis pela ação, pelo acionamento dos elementais, espíritos elementares). Por exemplo: Cosme, Damião, Damião cadê Doum. Doum ta passeando no cavalo de Ogum. Ou então, Ele é pequenininho e mora no fundo do mar, sua madrinha é a sereia seu padrinho é Beira-Mar.

Simbolicamente Ogum quase sempre vem em seu cavalo branco, que é o símbolo das intenções puras, do defensor dos fracos, salvador da vida humana. Por exemplo o príncipe encantado monta o cavalo branco, o guerreiro herói e salvador do reino monta um cavalo branco, aquele que venceu o dragão monta um cavalo branco.

Ogum – ARQUÉTIPO

Os filhos de Ogum são aqueles cuja sinceridade aparece desnudada. Não medem as conseqüências de seus atos, não toleram falsidade, e muito menos aceitam parecer aquilo que não são. Se não gostam de alguém não se esforçam para mostrar o contrário. Facilmente irritáveis, tem crises e explosões de cólera, raiva. Explodem não medindo o tamanho da força empregada, independente do tamanho do mal a ele direcionado.

Não aceitam a opressão dos mais fracos.

Impulsivos, geralmente agem antes de pensar. Em geral, depois de sentirem-se aliviados por terem extravasado seu poder, arrependem-se pelo tamanho do estrago e das conseqüências de seus atos.

Passam do momento de explosão à tranqüilidade de um espelho d’agua com facilidade, ou seja seu humor em geral é muito mutável.

Raramente agem ou são explosivos de forma malévola e mal intencionada, acreditam estarem com a razão e sua cólera servirá como corretivo para a outra pessoa.

Determinados ao extremo vencem em situações em que qualquer outro falharia, sua coragem se renova justamente no momento em que todos os demais abandonam.

Por essas características não “falam por trás”, não aceitam traição, dissimulação, assim não são traidores ou pessoas dissimuladas. No entanto, não gostam de ser criticados.

Pessoas que levam a vida de uma maneira prática, o mais prática possível. Por isso não são vaidosos, pois não gostam de perder tempo com isso, muitas vezes são despojados. Por isso, dificilmente será visto um filho de Ogum com penteados que precisam de horas para ser preparado, roupas desconfortáveis, que levariam um bom tempo para serem vestidas ou despidas. Entretanto, gostam de estar bonitos ou bonitas, bem vestidos.

Em geral são pessoas que gostam da tecnologia, dos novos caminhos da ciência, de outras formas mais modernas de exercer suas profissões.

Quando enfrentam um problema preferem a luta direta, franca, não são adeptos das sutilezas e da diplomacia para resolverem uma questão.

Como chefes da casa gostam que tudo gire em torno deles, de suas ordens e de sua forma de entender organização no Lar. Assim na menor falta gostam de expressar como a pessoa está agindo errada.

Dia da semana – terça-feira

Cor – Vermelha

Ervas – espada de São Jorge, folha de jabuticaba, tansagem, lança de Ogum, folha de mangueira. Folha de aroeira, folha de salgueiro-chorão, pata-de-vaca, folha de mangueira, abre caminho, beldroega, carqueja, losna, língua-de-vaca, peregum (dracena com raios vermelhos).

Amalá – Feijão fradinho, inhame frito coberto com mel, goiaba cortada no meio, manga (de preferência espada), 7 velas brancas, 7 velas vermelhas, cerveja clara servida em coeté, 7 charutos, fitas branca e vermelha, cravos brancos e cravos vermelhos (7 e 7).

Saudação – Ogum iê,!(salve Ogum)

NANÃ BURUQUÊ
NANÃ BURUQUÊ – A ORIXÁ PRIMORDIAL

Nanã Buruquê Para começarmos a falar de nossa querida Orixá Nanã Buruquê, permitam-me uma introdução:

Em um mito da cultura Yorubá, fala-se de um momento em que Deus (Olorum) manda Oxalá criar o ser humano. Oxalá começa a procurar de que material iria fazer este homem e esta mulher, e após várias tentativas decide pedir a ajuda a Nanã, a senhora do barro e da lama. Esta então aceita ajudar Oxalá e empresta seu barro, mas impõe uma condição: “Após um tempo na terra (aiê) os restos dos homens e mulheres deveriam voltar para seu domínio” Oxalá aceitando a condição pega o barro e molda os seres humanos que com um sopro de Olorum (Deus) o barro ganha a vida.

Este mito é muito conhecido de muitos de vocês, não é verdade? Vocês já não ouviram esta história com outros personagens? Pois é, no livro primeiro da Bíblia, o Gênesis, existe uma história muito semelhante:

No capítulo 2, versículo 7 da Gênesis: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.”

Povos distintos, que viveram em épocas diferentes e em locais diferentes, mas que inspirados deram uma explicação muito semelhante à origem do homem.

Mas vejam como outra passagem também traz esta semelhança:

Gênesis capítulo 3, versículo 19

“No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás”

Não é casual esta semelhança entre a tradição judaico-cristã, os yorubás, os jejês e os bantus. Esta semelhança demonstra a anterioridade desta Orixá, ou seja a sua antiguidade, de como veio primeiro. Por esta razão chamamos Nanã de avó dos Orixás.

Começamos assim a descrever Nanã para que todos possamos perceber como este Orixá é cercado de mistério, de importância e para que possamos perceber a abrangência de sua atuação.

Nanã é a responsável pela vida que conhecemos, seu barro primordial moldou a vida e continua a moldá-la todos os dias. Por isso, na Umbanda, a Orixá Nanã fornece a energia e a matéria necessárias para as materializações e desmaterializações. É a força divina que molda tudo dando-nos, além da vida, a saúde e também a oportunidade das reencarnações.

É da união da terra e da água que se possibilita a existência da vida vegetal. Afinal sem a água para irrigar os campos nada existiria. E sem a vida vegetal não teríamos outras formas de vida na Terra que conhecemos hoje.

Do pós vieste ao pó retornarás, ou seja, Nanã é a Orixá que acompanha a deterioração do corpo carnal, pois o corpo material voltará a pertencer a Nanã. Desta afirmação descobrimos a razão de muitos mitos trazerem Omolu como filho de Nanã, isto é, encontramos a explicação da proximidade entre Nanã e Omolu/Obaluaê.

Se foi de seu barro que foi moldado o homem e a mulher, é de seu barro (e assim leia-se de sua emanação) que poderemos encontrar as forças para reinventarmos nossas vidas, renascermos diante do sofrimento e dos traumas. As forças de Nanã auxiliam a todos um novo começo, nos dá um eterno poder de reinvenção. É a força divina que permite que tudo seja possível, pois é Nanã a essência de tudo que conhecemos, seja do ponto de vista da matéria astral, ou da matéria propriamente dita.

Representativamente é uma Orixá idosa, avó, e assim representa também a sabedoria e a experiência, desta forma é a Orixá que preside em nós a calma e a clareza de idéias, é quem nos dá o discernimento.

Nanã, da mesma forma que Omolu/Obaluaê e que Iansã, tem estreita ligação com a morte, o que dá a esta Orixá um papel relevante na condução e trato com as almas, e logicamente com toda a Umbanda.

Por ter esta representação, e pelas suas características, as energias emanadas de Nanã Buruquê são muito trabalhadas e utilizadas pelos pretos-velhos. E por ser uma Orixá que preside a formação da matéria fornece esta energia aos Exus e as Pombagiras.

No sincretismo religioso exigido e imposto pelo senhor aos escravos, os nossos ancestrais optaram por relacionar Nanã a Sant’Ana, ou seja a mãe de Maria. Pois tal como este santo da Igreja Católica, Nanã é a Mãe primordial, a que veio antes, a que preparou o terreno para os seus filhos. Ou seja, Sant’Ana veio antes e preparou Maria para que esta recebesse Jesus.

Senhora de todas as águas paradas, das águas profundas, dos pântanos e dos manguezais. São nestes sítios da natureza que podemos entrar em contato com esta Orixá, além de podermos pedir suas forças diante dos rios e mares.

A saudação é Saluba, ou Saluba Nanã, cujo significado é “nos refugiamos em Nanã”.

A comida ritualística, usada para oferendas e trabalhos em nossa casa é o purê de batata-doce-roxa, uvas roxas, lima da pérsia, milho branco cozido coberto com mel e com fatias de coco, além do acaçá (bolinho feito com fubá branco).

Sua cor é o roxo (em muitos locais o lilás).

Saravá a primordial, a essência, saravá Nanã, permita que nos refugiemos em tuas forças, Saluba Nanã.

OMOLU / OBALUAÊ
OMOLU / OBALUAÊ, O ORIXÁ DA TRANSMUTAÇÃO, A FORÇA DIVINA DA TRANSFORMAÇÃO

Omolu/ObaluaêO Orixá que denominamos de forma dupla nos terreiros de Umbanda, ora tratamos em nossas cantigas como Omolu, ora nos reportamos a esta representação, esta emanação de Deus como Obaluaê, é um único Orixá. E assim começamos a afirmar que Omolu/Obaluaê é um Orixá, ou seja, uma emanação de Deus, uma representação, uma qualidade do próprio Criador.

Em nossa casa cultuamos e reverenciamos o Orixá Omolu/Obaluaê, e temos uma relação muito própria em tratar os Orixás, uma vez que todos aprendemos que se Omolu é Orixá, se Nanã é Orixá, se Yemanjá é Orixá, se Oxossi é Orixá, e assim por diante, devemos considerá-los como indispensáveis para a compreensão de Deus. Ou seja, não existe uma forma de não interpretarmos o mundo, seja ele material, seja ele espiritual, se não compreendermos cada um dos Orixás e a integração entre os mesmos. Assim, entendemos que todos são fundamentais e essenciais para o Universo. Se nós não entendermos um Orixá que seja, não podemos compreender o todo, ou O Todo. Para quem quiser saber quantos são e quem são, acesse o artigo “Quem são e quantos são os Orixás.” Omolu/Obaluaê é o Orixá responsável, o Orixá regente das reencarnações, é a força divina que preside o desprendimento do espírito do corpo material sem vida, e, por conseguinte a força divina que liga o espírito no corpo material. Desta forma, no desencarne e no reencarne temos a força de Omolu/Obaluaê atuando em nós.

Senhor das Almas, Omolu/Obaluaê têm regência no campo santo, ou seja, nos cemitérios, e também nos locais similares, isto é, nos locais onde culturalmente se depositam os mortos, como crematórios, mares, rios, cavernas, etc.

Omolu/Obaluaê também é conhecido como o médico dos pobres, uma vez que é o Orixá da peste e da cura da peste, é esta emanação de Deus que possibilita a transmutação de um estado doentio em um estado saudável, é nesta corrente divina que os espíritos podem trabalhar na busca de materialização e desmaterialização para a cura do corpo físico. Por ser o senhor da Morte, ele detém o poder da vida, e assim atua no mundo material também na cura das doenças.

Este Orixá tem como elemento o fogo e a terra, ou a terra flamejante, a lava. Pois ao mesmo tempo em que molda com a terra, destrói ou forja com o fogo. E por isto é o Senhor da Transformação. Para entendermos essa força transformadora, um bom meio é observarmos a pipoca. A semente de milho de pipoca é dura, não serve para comermos, é feia, acanhada, mas basta colocarmos o fogo para transformarmos este semente dura, em um alimento rico, cheio de beleza. Ao estourar a pipoca simbolizamos a força transformadora de Omolu/Obaluaê. O poder de mudar de transformar algo que não tem serventia em algo que encanta. Não é por acaso que a pipoca é um dos pratos ofertados a este Orixá.

Sem dúvida nenhuma Omolu/Obaluaê é essencial para a nossa Umbanda, para a vida material como a conhecemos. Omolu/Obaluaê é um Orixá misterioso, guarda muitos segredos, sua representação coberto de palha da costa, não é apenas uma forma de esconder suas feridas, mito contado na tradição yorubá (nagô), mas o símbolo de alguém que tem o que esconder, algo que não pode ser revelado a qualquer um.

Muitas músicas populares fazem referência a este Orixá, mas quero destacar a música Minha Fé, cantada por Zeca Pagodinho, em que no meio da música entoa:

“Nas mandingas que a gente não crê, mil coisas que a gente não vê, valei-me meu Pai Atotô Obaluaê, valei-me meu Pai Atotô Obaluaê.”

Ou seja, nos mistérios da vida, em tantas coisas que não acreditamos, mas temos medo, valei-me meu Pai, proteja-me Obaluaê, abençoa-me Omolu.

Sua cor na Umbanda retrata esta força: o branco e o preto. O branco o espectro luminoso da união de várias cores, representando a pureza, a fé divina, o que ainda pode ser preenchido, e o preto que representa a força que suga, que atrai energias. Ou seja, com uma mão Ele suga as energias que precisam ser modificadas, que nos atrapalham e com a outra Ele nos enche de fé, de pureza e de energias positivas.

Por estas razões que os Pretos-Velhos têm ligação tão íntima com a representação de Deus que chamamos Omolu/Obaluaê. Senhores ancestrais que representam as almas que já fizeram a passagem, os pretos-velhos já vivenciaram tudo o que hoje estamos passando, os Pretos-Velhos, utilizam as energias deste Orixá todo o tempo. Muitas casas saúdam os Pretos-Velhos com “adorei as Almas”, Omolu/Obaluaê é o Senhor de todas as almas.

Também encontraremos nestas explicações todos os motivos que podem justificar a proximidade e a ligação umbilical entre os Exus e Pombagiras com o Senhor Omolu/Obaluaê. Senhor do campo santo, transformador, detentor do poder de conduzir as almas, senhor das reencarnações, Omolu/Obaluaê cedem aos Exus e Pombagiras as energias tão necessárias para os seu trabalhos. Não existe nenhum Exu ou Pombagira que não use as energias de Omolu/Obaluaê de forma constante.

Assim contemplar esta força, esta energia é algo grandioso e sem esta face de Deus eu entendo que não posso compreender a Umbanda, aliás sequer posso compreender a mim mesmo. Por isso eu tenho a convicção de que Omolu/Obaluaê é um Orixá, e como Orixá é tratado, cultuado e reverenciado em nossa casa.

A saudação a Omolu/Obaluaê é Atotô! Atotô Sr. Omolu/Obaluaê. Que tem o significado de silêncio, o senhor Omolu está aqui. Um sinal de respeito, e de que todos os presentes devem observar a sabedoria e força divina deste Orixá.

Seu dia é a Segunda-feira.

Pode-se ofertar a Omolu/Obaluaê: pipoca estourada (de preferência estourar a pipoca em panela de barro com areia do mar, sem usar sal ou óleo), amendoim torrado, flores brancas (margaridas), água mineral, farofa de mandioca com banana-da-terra (feita no fogo em panela de barro usando-se mel para adoçar).

Saravá meu pai Omolu

Saravá meu Pai Obaluaê

Atotô!